Este website usa cookies para melhorar a navegação dos nossos utilizadores. Ao navegar no site estará a consentir a sua utilização. Fechar ou Saber Mais
Menu
Pesquisar
Inquérito
Gostaria de ter Internet wireless gratuita por toda a freguesia?
Excelente Ideia!
Já deveria estar!
Não!
História - História da Localidade

História Vila Verde dos Francos (Alenquer)

 

A História da nossa Vila é rica, os documentos que melhore a descrevem, só existem desde a fundação de Portugal.

Foi vila e sede de concelho até à sua extinção, em 1836. Vila e freguesia, que era a única que compunha o concelho, são incorporadas no concelho de Aldeia Galega da Merceana, o qual também será suprimido em 24 de Outubro de 1855, tendo então sido, anexado, ao de Alenquer.
O antigo termo de Vila Verde compreendia os lugares de Avenal, Rechaldeira, Rabissaca, Lapaduços, Casais Galegos, Portela e Portela do Sol. Com as revisões administrativas perdeu o lugar de Avenal e Rechaldeira. Contava esta antiga vila 87 fogos em 1527. Em 1759 tinha 168 moradores e 594 habitantes.

Hipólito Cabaço (arqueólogo de Alenquer) recolheu aqui machados polidos do período neolítico, no Penedo do Buraco, fragmentos de cacos diversos e uma faca em silex.

Antes da fundação de Portugal, foi povoada por mouros e prova disso é a existência de uma "casa" mourisca, com alpendre, apresentando arcos em forma de ferradura, ao bom estilo árabe.

Situada nas faldas do Montejunto, Vila Verde foi doada por D. Afonso Henriques, 1º rei de Portugal, ao cavaleiro franco D.Alardo, em Janeiro de 1160. Não se sabe o motivo concreto desta doação, e alguns autores referem que o mesmo cavaleiro não fez parte do grupo que acompanhou D. Afonso Henriques na conquista de Lisboa. A tradição oral, contudo, assim deixou a ideia que a doação foi um prémio por semelhante ajuda. Pensa-se que a doação poderá ter tido fundamento político, por parte de D. Afonso Henriques, que necessitava de apoios quer na defesa do território, quer junto do Papa, para que pudesse ser proclamado Rei. Não menos verdade é que D. Afonso Henriques era descendente de famílias Francas, por parte de seu pai, e desconhecemos a relação com este cavaleiro Franco. Desde então foram pretores e donatários da localidade, Francos, aparentemente, descendentes de D. Alardo. O mesmo Cavaleiro cria um pseudo sistema feudal, ao bom estilo franco, prova disso é o local e estilo de casa castelo construído nessa época,  bem como o foral que atribuía, ao pretor/donatário, poderes pouco comuns em relação a outros da mesma época (1).

Em 1434, D. Violante Vasques e seu Marido D. Afonso Roiz, trocam a alcaidaria da Vila com D. Gonçalo Lourenço de Gomide, escrivão da puridade e um homem de grande poder no Reino, por “quintas, lugares, bens e herdades, casas, lagares e assentamentos com suas cubas e vasilhas, que Gonçalo Lourenço e sua mulher têm na vila do Cadaval, e na mata da quinta que fora de Rui Dias do Rego; e a quinta do Varatojo, com todas as vinhas, herdades, montados, pinhais, pacigos, montes e fontes, arroteados e por romper” (Chancelaria de D. Manuel I, liv. 20, fl. 21v -2008 - DGARQ - Direcção-Geral de Arquivos, Torre do Tombo)
Desde esta data a alcaidaria da Vila ficou ligada à familia Gomides e seus descendentes, Gomides, Albuquerques e Noronhas, perdendo definitivamente a sua ligação aos Francos. Acredita-se que esta troca possa ter sido, intencionalmente, forçada, tendo como objectivo diminuir o poder dos Francos em terras lusas.

A câmara compunha-se de dois juizes ordinários, um na vila, outro no termo, um procurador do concelho e três vereadores, confirmados pelo senhor da vila.

Tinha um capitão de ordenança, sujeito ao general da Estremadura.

Teve Casa da Misericórdia e irmandade,  fundada por D. Pedro de Noronha no tempo do reinado de D. Manuel, de que era provedor perpétuo o marquês donatário. A sua igreja deve ter sido construída em 1525 (como certo no reinado de D. Manuel). Administrou aqui um hospital, fundado por D. Francisco de Noronha. Nos ultimos tempos foi Albergue de Crianças Abandonadas. Extinguiu-se poucos anos após a implantação da República (1910), por incapacidade económica. No Início do século XX funcionou nas suas velhas instalações a escola de instrução primária, até à construcção, pela Junta de freguesia, na década de 30, de um novo edifício, situado na rua da escola e que funcionou até 2015, como escola primária.

Junto à antiga vila existiram duas ermidas: a do Anjo da Guarda, pertencente aos donatários, com confraria composta por juiz, juiza e mordomos, responsáveis pela sua festa, no terceiro domingo de Julho.  A outra, de São Brás, a poente da vila, com um só altar, era administrada pela Misericórdia, à qual acorria uma romagem no dia do santo.

Aqui se fundou, em 1540, um convento franciscano, distante da vila meio-quarto de légua, na encosta do Montejunto, de invocação de Nossa Senhora da Visitação. Surge de uma mudança de um antigo convento, fundado por D. Gonçalo de Albuquerque, numa sua quinta, por este apresentar alguns problemas. Foi seu re-fundador e padroeiro D. Pedro de Noronha, sexto morgado de Vila Verde, vedor da rainha D. Catarina de Áustria, sepultado na igreja deste convento em 1566.
À data da sua extinção, residiam aqui treze frades. Sofreu, de então para cá grandes alterações, a maior efectuada pelo Visconde de Chancelleiro, à data em que o adquiriu em hasta pública, sendo o autor da casa de habitação, hoje hotel.

Entre os nomes de vila-verdenses ilustres contam-se ainda os de D. Manuel de Noronha e de Gregório Ferreira de Faria.
O primeiro nasceu aqui em 1594 e era natural do lugar de Portela. Professo na Companhia de Jesus, foi prior das vilas de Castanheira e Vila Verde, prior-mor da Ordem de Santiago e reformador da Universidade de Coimbra. Prior-mor de Viseu, foi eleito bispo daquela diocese, mas antes de tomar posse foi nomeado para a Sé de Coimbra (1668), onde chegou a tomar posse por procuração, falecendo sem ter sido sagrado, em 1671.
O segundo,  foi sargento-mor da comarca de Leiria.

Alguns nomes de Senhores e Condes e ilustres famílias desta localidade:

• Gonçalo Lourenço Gomide, 1º Senhor de Vila Verde, Escrivão da Puridade do Rei, o equivalente a um 1º Ministro, na época.
• Gonçalo de Albuquerque, 3º Senhor de Vila Verde, pai de D. Afonso de Albuquerque, foi quem mandou edificar o palácio dos Senhores e Condes de Vila Verde dos Francos.
• D. Pedro de Noronha, 6º Senhor de Vila Verde, mandou edificar o Convento da Visitação, e convidou os Frades Franciscanos de Xabregas para o habitarem. Foi o Fundador da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Vila Verde dos Francos. Político, de extrema vivacidade, procurou a todo o custo e pelos seus meios criar todas as instituições nesta localidade como forma de manter poder sobre as mesmas, evitando a criação de outros grupos de pudessem vir a causar alguns problemas. Assim criou uma hierarquia de sujeição e subordinação pelo clero e outras classes em Vila Verde dos Francos.
• D. Pedro Noronha (filho do anterior): 7º Senhor de Vila Verde, casou-se duas vezes, a segunda com Catarina da Ataíde, uma das amadas  de Luís de Camões.  A ser verdade que Luís de Camões teve uma relação amorosa com D. Catarina (2), foi pouco provável que tenha correspondido à época em que a mesma viveu em Vila Verde. D. Catarina já estava doente quando se mudou para Vila Verde, e acabou por falecer no Convento da Visitação, propriedade privada da Família Noronha, por já os frades nada conseguirem pela sua cura.
• D. Francisco de Noronha: 8º Senhor, entrepôs um processo judicial, contra os frades do convento, obrigando-os a deixar a si e sua família usufrurem da casa de habitação da quinta, que era do seu avô. Os frades mudaram as fechaduras e travaram a sua batalha para não perderem o espaço, mas viram-se obrigando-os a ceder uma vez que seu avô, D. Pedro de Noronha, não doou todo o espaço aos mesmos, deixando para os familiares a casa de habitação. D. Francisco de Noronha, filhos e mulher acabaram por habitar na hospedaria do Convento,para se refugiar da peste, ao invés do palácio situado na vila.
• D. António de Noronha: 12º Senhor de Vila Verde, recebeu pela Primeira vez o título de Conde, sendo neste caso o 1º Conde de Vila Verde dos Francos.
• D. Pedro António de Noronha Albuquerque e Sousa: 2º Conde de Vila Verde dos Francos, recebe também o título de 1º Marques de Angeja. Em 1693 foi o 32º Vice Rei da Índia, em 1714 torna-se Vice Rei do Brasil. Foi o responsável por Criar o Salão/Gabinete do Conde, no palácio, com tecto pintado com quadros a representarem as cenas da conquista da India e o nome de cada capitão a que se associava cada momento. Sabe-se que a sua vida politica começa bastante cedo em idade, por volta dos 30 anos, algo não muito habitual, contudo eram reconhecidas, na época, a sua inteligencia e diplomacia que valeram os cargos que conquistou.
• Pedro José Noronha Camões de Albuquerque Moniz e Sousa: 4º Conde de Vila Verde dos Francos, 3º Marques de Angeja e o 15º Senhor de Vila Verde dos Francos. Foi um Estadista, liderou o movimento que aparentemente foi o responsável pela queda de Marques de Pombal. Foi chefe de Governo depois da queda de Marques de Pombal.

Presidentes de junta Após a Implatação da República (1910):

 

Lugares da Freguesia



Portela


Tinha 14 fogos em 1527. Em 1758 contava apenas nove. Em 1873 eram 12.

Com capela do século XVIII, orago Santa Barbara, construída pelos moradores. Tinha Capelão ordenado pelo Vigário de Vila Verde dos Francos. Próximo da Capela existe um Chafariz Velho com placa com a seguinte inscrição: Viu um Poço no Campo, dele bebiam os rebanhos 1728, atribuída esta inscrição ao facto da Rainha D. Maria Ana de Áustria, por aqui ter passado junto à fonte numa das suas viagens.


Lapaduços


O seu nome tem origem na derivação da toponímia original Lapaduras (Lapa+Duras, in: memórias paroquiais, transcrição paleográfica que publicamos neste site na integra).
Associa-se o nome aos algares da sua serra, onde se encontram lapas num enorme maciço calcário. Segundo a tradição oral estes algares foram habitados.
Em meados do século XVIII, quando o lugar contava 14 vizinhos, existia aqui uma ermida de São Miguel, com alpendre. A festa realizava-se no dia 29 de Setembro.


Casais de Fonte Pipa


Associa-se o nome da localidade a uma fonte onde os habitantes abasteciam com facilidade.
Hoje agrega uma série de casais, um dos quais referenciado nas memórias paroquiais como casaes do Romão.


Casais do Chorão


Encontra-se num ponto alto, na subida da serra, sabe-se que há muitos anos se associava a este lugar a zona de pastores, tradição que ainda hoje se mantém. É possível ver, ainda hoje, grandes rebanhos a apascentarem-se nas colinas e serra.


Casais de Portela do Sol e Almónia


Nesta localidade já foram encontrados fosseis e alguns achados pré históricos. Existe mesmo a descrição da existência de um menir ou outro monumento pré-histórico, que deu lugar a uma casa de habitação, onde foram achadas peças no inicio do século passado.

Rodeio, Rechaldeira e Rabissaca


Partilhamos um artigo que em tempos esteve exposto no site da Junta de freguesia de Vilar, mas que hoje já não se encontra, desconhecemos o autor, mas os mais velhos da nossa freguesia confirmam a história contada por seus pais e avós:

“No século XX, pelo decreto n.º 14:769, de 20 de Dezembro de 1927, as povoações de Rechaldeira, Avenal, Rodeio e Rabissaca, são desanexadas da freguesia de Vila Verde dos Francos, concelho de Alenquer, e integradas na freguesia de Vilar, concelho de Cadaval. Esta mudança de freguesia e concelho ficou a dever-se ao forte descontentamento popular gerado pela cobrança do imposto “ad valorem”, por parte das autoridades do concelho de Alenquer, imposto que era aplicado sobre as uvas produzidas pelos agricultores da freguesia de Vilar nas suas propriedades no concelho de Alenquer mas depois transportadas para as suas adegas no concelho de Cadaval. Os cobradores que angariavam dinheiro por Vila Verde eram Ernesto Pereira Germano e José Cuco. Cobravam por cada tina 2$50. O povo expulsou-os. As autoridades de Alenquer solicitaram a intervenção da G.N.R. para garantir a integridade física dos cobradores do referido imposto, o que exacerbou ainda mais os ânimos, tendo sido necessário pedir reforços, vindo uma força da G.N.R. acampar no Outeiro Mourisco. A “resistência” começou a organizar-se, com o Sr. António Martins a fabricar bombas de pólvora e o farmacêutico, Sr. António Ribeiro Duarte, a fabricar zagalotes de chumbo para as espingardas, com vista a um ataque surpresa ao acampamento da G.N.R. Todavia, este ataque nunca chegou a efectuar se, pois a G.N.R., entretanto, levantou o acampamento.

A anexação gerou um conflito aceso entre ambas as freguesias que incluiu mesmo tiroteios e escaramuças, embora sem vítimas mortais. Um desses episódios colocou em risco a vida do Presidente da Câmara Municipal do Cadaval, da altura, o Sr. António Leal, dos seus acompanhantes e dos elementos da Junta de Freguesia e Regedor do Vilar que se viram cercados numa casa da Rabissaca por populares armados, de Vila Verde dos Francos. O Vilarense, conhecido por José da Vaca, conseguiu furar o cerco e veio pedir reforços ao Vilar. Tocou o sino a rebate e a população que andava na faina da apanha da azeitona, juntou-se armada de espingardas, forquilhas e varapaus e acorreu à Rabissaca para salvar os sitiados, conseguindo rechassar o ataque dos vilaverdenses.

A alteração dos seus limites constituiu um grande prejuízo para a freguesia de Vila Verde dos Francos, por significar a perda de cerca de metade da sua área territorial, mas as autoridades vilaverdenses não ficaram paradas e resolveram mover influências junto do Governo para reintegrar na sua freguesia as povoações perdidas.

Consta que a pedido da Sr.ª Rosa Dionísio, natural da Rabissaca, o General Amilcar Mota, se arvorou em defensor das pretensões das autoridades de Vila Verde dos Francos. Também as autoridades de Vilar tiveram na pessoa do Sr. Coronel Penteado Pinto que, à época passava férias no n.º 7, da Rua da Fonte, em Vilar, um defensor das suas posições.

Volvidos sete anos sobre a data da anexação, por decisão governamental ( Decreto-Lei n.º 23:611, de 28 de Fevereiro de 1934, que veio alterar o teor do decreto 14:769, de 20 de Dezembro de 1927), a contenda foi resolvida, tendo sido satisfeitas, em parte, as reivindicações das autoridades vilaverdenses. Os lugares de Rabissaca e Rodeio foram devolvidos à freguesia de Vila Verde dos Francos enquanto as povoações de Avenal e Rechaldeira permaneceram na freguesia de Vilar, onde se mantêm até hoje.”

Para mais informações sugerimos que consulte a descrição dos monumentos em «o que visitar»


(1) Foral;

(2)Poema de Luís de Camões a Caterina (Natércia);

Memórias paroquias de 1759 (Transcricção Paleográfica) :

Disponivel em: "documentos históricos" na nossa página

....................................................................................................................................................................
Pesquisa e texto: Luís Prata, 2016

Contacto: luisprata@hotmail.com


Referências Bibliográficas:
Prior João Silva, 1759 – Memórias paroquiais (transcricção paleográfica por António Pacheco, 2014)
Guilherme Henrique, 1873 – Alenquer e o Seu Concelho
António Guapo, José Eduardo Martins [e tal],2002 – O Concelho de Alenquer
Maria Albuquerque, 1998 – A Irmandade e Confraria da Misericórdia de Vila Verde dos Francos.
Luís de Azevedo, 2007 – Albuquerque.Gomide Senhores de Vila Verde dos Francos
Maria Alice Gomes, 1995 – Vila Verde dos Francos

  
Estatísticas
Temos 77 visitantes online.
Visitas: 1.143.250
Login
Utilizador:
Password:
     
Criar novo registo
Recuperar Password
Agenda de Eventos
Partilha
Mural Facebook
Neste momento não existe informação disponível.
  Acessibilidades | RSS | FAQ | Links | Pedido de Informações | Requisitos técnicos
Todos os direitos reservados - Desenvolvido por Ok-Portugal